Especialidade

A Endocrinologia é a especialidade médica responsável por cuidar dos transtornos das glândulas endócrinas. As glândulas endócrinas são órgãos que secretam hormônios. Desta maneira, a função do endocrinologista é reconhecer e tratar os problemas hormonais, ajudando a restabelecer o equilíbrio do organismo.

Assim, o campo de atuação do endocrinologista é extremamente vasto, visto que os hormônios regulam praticamente todas as funções orgânicas, e, portanto, as alterações hormonais podem provocar diversas doenças, envolvendo o organismo como um todo.

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue. Pode ser decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade da mesma exercer adequadamente sua função causando a hiperglicemia.

Sabemos hoje que diversas condições que podem levar ao diabetes e, portanto esta doença é classificada em vários tipos:

  1. Diabetes Tipo 1 (DM 1)

É resultado da destruição das células beta pancreáticas por um processo auto- imune, ou seja, pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células beta levando a deficiência de insulina. Nesse caso, a maioria das vezes, é possível detectar, nos exames de sangue, a presença de alguns anticorpos. Eles estão presentes em cerca de 85 a 90% dos casos de DM 1 no momento do diagnóstico. Em geral costuma acometer crianças e adultos jovens, mas pode ser desencadeado em qualquer faixa etária.

O quadro clínico mais característico é de um início relativamente rápido de sintomas como: sede, diurese aumentada, fome excessiva, emagrecimento, cansaço e fraqueza. Se o tratamento não for realizado rapidamente, os sintomas podem evoluir para desidratação severa, sonolência, vômitos, dificuldades respiratórias e coma. Esse quadro mais grave é conhecido como Cetoacidose Diabética e necessita de internação para tratamento.

  1. Diabetes Tipo 2 (DM 2)

Nesta forma de diabetes está incluída a grande maioria dos casos (cerca de 90% dos pacientes diabéticos). Nesses pacientes, a insulina é produzida pelas células beta pancreáticas, porém, sua ação está dificultada, caracterizando um quadro de resistência insulínica. Isso vai levar a um aumento da produção de insulina para tentar manter a glicose em níveis normais. Quando isso não é mais possível, surge o diabetes. A instalação do quadro é mais lenta e os sintomas – sede, aumento da diurese, dores nas pernas, alterações visuais e outros – podem demorar vários anos até se apresentarem. Se não reconhecido e tratado a tempo, também pode evoluir para um quadro grave de desidratação e coma.

Pacientes com DM tipo 2, geralmente apresentam aumento de peso e obesidade e na grande maioria das vezes, este distúrbio, acomete adultos a partir dos 50 anos. Contudo, observa-se, cada vez mais, o desenvolvimento do quadro em adultos jovens e até crianças. Isso se deve, principalmente, ao aumento do consumo de gorduras e carboidratos aliados à falta de atividade física. Assim, o endocrinologista tem, mais do que qualquer outro especialista, a chance de diagnosticar o diabetes em sua fase inicial, haja visto a grande quantidade de pacientes que procuram este profissional por problemas de obesidade.

  1. Diabetes Gestacional

É o tipo de diabetes diagnosticado durante a gestação.

Na maioria das vezes ele é detectado no 3º trimestre da gravidez, através de um teste de sobrecarga de glicose.

Pode ser transitório ou não e, ao término da gravidez, a paciente deve ser investigada e acompanhada.

  1. Outros Tipos de Diabetes

Outros tipos de diabetes são bem mais raros e incluem defeitos genéticos da função da célula beta (MODY 1, 2 e 3), defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas (pancreatite, tumores pancreáticos, hemocromatose), outras doenças endócrinas (Síndrome de Cushing, hipertireoidismo, acromegalia) e uso de certos medicamentos.

Existem 3 exames que podem diagnosticar a diabetes e determinar o tipo: Glicemia de Jejum, Hemoglobina Glicada e Curva glicêmica.

Basicamente, o tratamento da diabetes está atrelado à mudança do estilo de vida. Praticar exercícios físicos regularmente, ter uma alimentação equilibrada, monitorar a quantidade de açúcar no sangue e tomar o medicamento correto são as principais formas conviver bem com essa doença.

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo e que se torna um fator de risco para uma série de doenças, como hipertensão, doenças cardiovasculares e até diabetes entre outras.

A obesidade pode ser decorrente de herança genética familiar, maus hábitos alimentares, disfunções endócrinas e problemas psicológicos.

Um dos parâmetros utilizado para o diagnostico de obesidade é o IMC que avalia, através de um calculo matemático, o índice de Massa Corporal de cada paciente. O resultado é cruzado com uma tabela usada pela Organização Mundial da Saúde – OMS – que classifica o paciente, de acordo com o resultado em: baixo peso, normal, sobrepeso e obesidade.

O tratamento da obesidade, seja ela em adultos ou em crianças, deve ser sempre orientado. Sugere-se uma abordagem multidisciplinar envolvendo médico endocrinologista, nutricionista e psicólogo. A mudança de estilo de vida para o tratamento da obesidade também é considerado fundamental.

A tireoide ou tiroide é a glândula responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que atuam em todos os sistemas do nosso organismo, como coração, cérebro, fígado e rins. Interferem no crescimento e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, fertilidade, peso, memória, concentração, humor e controle emocional. Assim sendo, é extremamente importante que esta glândula funcione perfeitamente, a fim de garantir o equilíbrio e a harmonia do organismo.

Basicamente falando, podemos dividir os distúrbios funcionais desta glândula em 2 tipos: o hipertiroidismo, quando a glândula libera hormônio em excesso e o hipotireoidismo, quando a quantidade de hormônios produzida é insuficiente.

Os distúrbios funcionais podem ser diagnosticados através das dosagens de TSH e T4 livre que podem ser pedidos pelo seu médico. Outros exames de imagem podem ser necessários para que se chegue ao diagnóstico final.

Os sintomas variam de acordo com o tipo de disfunção. No hipertireoidismo pode haver perda de peso, palpitações, insônia, agitação e aumento da sudorese. No hipotireoidismo pode ocorrer fadiga, cansaço, desânimo, inchaço, unhas quebradiças, pele e cabelos ressecados e depressão.

Além do uso do medicamento correto, é fundamental consultar o endocrinologista regularmente para a realização dos exames e controlar a disfunção.

A hipófise é uma glândula muito importante localizada na base do crânio que produz diversos hormônios, alguns que estimulam glândulas e outros que agem diretamente no organismo. Além disso, a hipófise está ligada diretamente com o hipotálamo e é nela que é liberado o hormônio antidiurético, responsável pela concentração de urina e retenção de água pelos rins.

O hipotálamo libera substâncias que estimulam ou inibem a produção de hormônios pela hipófise. Por isso, tanto doenças do hipotálamo como da hipófise podem afetar outras glândulas e causar diversos sintomas diferentes.

O diagnóstico das disfunções neuroendócrinas vai partir dos sintomas que levem à suspeita de doença hipofisária. O médico deve investigar solicitando testes hormonais, exames de imagem da hipófise ou da sela túrcica, ressonância magnética e tomografia computadorizada.

O mau funcionamento da hipófise pode gerar vários tipos de doenças de forma que existe um tratamento indicado para cada problema com medicamentos específicos.